
Inês Pedrosa, no livro Fazes-me falta

Como pode alguém acordar tão bem disposto??? Juro que até me esforço para entender, mas não consigo!
Antigas fotografias que nunca ficam antigas. Sorrisos de olhos fechadinhos de tanta alegria. Saudades do abraço apertado que a fotografia registou, do cheiro e da sensação que a memória gravou. Saudades das calças que agora só ficam bem na foto antiga. Do cabelo comprido de menina. Dos amigos que passaram e dos que ficaram. Da paixão que um verão trouxe e do amor que um inverno levou.
Sei que faltam mais umas quantas velinhas neste bolo, mas como hoje não se trata de quantos, mas sim de mais um na tua companhia, isso não interessa nada!!! Nadinha!!
...de uma vida outrora vivida e jamais esquecida;
Acordar com inúmeros homens inteligentes, tem-me mostrado o quão estúpida ainda sou.
O Guilherme é uma criança com graves problemas de saúde e, como todas as crianças, com o direito a ser feliz.
Gosto de dias assim, de céu azul; preciso da praia no Verão, no Inverno, em qualquer estação do ano; delicio-me com figos e diospiros; aprecio plantas em casa, árvores milenares, flores pequeninas e coloridas, o cheiro a terra molhada, sentir a chuva no rosto e o sol no corpo; procuro o silêncio; fascinam-me olhares profundos e que falam; tiram-me do sério os sorrisos e as gargalhadas com lágrimas; não resisto a abraços sinceros; derreto-me com mãos nas mãos; perco a cabeça com beijos apaixonados, roubados, molhados; não esqueço o sabor das cornucópias e o cheiro dos bolos da minha avó; refugio-me numa esplanada ao final da tarde; interesso-me por coisas antigas, com histórias para contar, adivinhar; reparo em sardas; seduz-me vinho tinto à luz das velas; perco a noção do tempo com conversas interessantes; aventuro-me em viagens por terras nunca faladas; vejo com prazer fotografias de infância; não resisto a castanhas assadas ou cozidas, azeitonas, caracóis, pão alentejano, quente com manteiga... Há pouco telefonou-me , disse-me que me queria desejar um bom dia, e simplesmente pôs esta música a tocar...
Sei que não leu este blogue...
Da mesma forma que sei que este meu amigo tem um ombro que adivinha!
E ele sabe que também o adoro!
O verdadeiro Amigo, mesmo que não seja capaz de te levantar, arranjará sempre uma forma de não te deixar cair!...
Se me quiserem oferecer um telemóvel novo, não direi que não!....
Isabel, Rogério, Zm, ainda que não tenha cá chegado, valeu a intenção!
Aposto que foi mais um momento lindo!
Foi um final de semana complicado, sem dúvida, mas momentos como estes, em que junto amigos e família, fazem-me esquecer o que menos importa!...

Amiga, se ela consegue fazer isto, tu também tens de aguentar mais uma segunda-feira! Força aí!
Na semana anterior, um amor do passado fizera anos. Engraçado como algumas datas se colam na memória, mesmo que não seja essa a intenção... Assim como por anos e anos não se esqueceu do seu aniversário, inevitavelmente também não deixou de se lembrar dele. Ainda que fosse apenas uma vez por ano. Nos janeiros.
Neste, além do seu aniversário, o tempo trouxe uma conversa que tiveram logo no início do seu amor. Apenas uma hipótese de amor, que começava com promessas de ser eterno. E, por isso, ele estava preocupado em terem algum facto especial, que registasse a importância de se terem encontrado. Ela tinha 12, ele tinha 15.
Ele queria que o primeiro beijo dela tivesse sido dele. Mas ela já tinha beijado o Pedro, um rapazinho que lhe trazia flores do jardim da escola, um ano antes. Então, prometeram-se a primeira vez no sexo. Mas, como isso seria só no futuro - já que eram muito novos - ele decidiu que ainda assim teriam que ter um momento só deles.
Uma das coisas que tinham em comum era o gosto pela guitarra. Ela tentava aprender, e ele tocava. E, naquele dia, ensinou-lhe o refrão de uma música. E disse: "Esta será a nossa primeira música. Para não nos esquecermos deste momento, que precisamos guardar na memória”.
Ter boas recordações é uma maneira de ter fome. Ele não foi o seu primeiro beijo, nem foi com ele que fez amor pela primeira vez. Mas foi ele quem lhe ensinou a importância de guardar os bons momentos. Talvez seja por isso, que ela nunca se esquece do seu aniversário e de algumas das coisas boas do passado. A fome nunca acaba. Especialmente a dos momentos que precisamos guardar.