quarta-feira, 24 de junho de 2009

Para todo o sempre...

Antigas fotografias que nunca ficam antigas. Sorrisos de olhos fechadinhos de tanta alegria. Saudades do abraço apertado que a fotografia registou, do cheiro e da sensação que a memória gravou. Saudades das calças que agora só ficam bem na foto antiga. Do cabelo comprido de menina. Dos amigos que passaram e dos que ficaram. Da paixão que um verão trouxe e do amor que um inverno levou.
Saudades da infância de pés descalços, sem camisas, do cabelo à tigela, das brincadeiras na rua, das primeiras descobertas, das sensações nunca esquecidas. Saudades até da parte da infância que não me lembro de ter vivido. Saudades da bisavó que eu gostava de ter conhecido além do que vi numa fotografia a preto e branco.
Saudades das fotos que não tirei, dos momentos que não registei através de imagens congeladas na arca do tempo, mas que o cérebro fez questão de arquivar… Dá saudades, não dá? Saudades dos lugares que ainda não conheci, dos amigos que ainda não fiz, do beijo que não foi roubado, da primavera que ainda não chegou.
Mais saudades ainda do que existiu e foi tão bom que se eternizou. Das fases, das descobertas, das Patrícias que fui, da criança, da menina, da mulher. Daquela pessoa estranha, da pessoa que ainda reconheço, da minha versão que ficou esquecida. Das tantas caras que tive, das caretas que fiz, dos sorrisos que dei, dos estilos que tive, das bandas de que fui fã, das músicas que ouvi, dos sonhos que realizei e dos que ficaram esquecidos no fundo de alguma gaveta.
Perdi a conta da quantidade de horas que passei vendo e revendo fotografias, das mais novas até as mais jurássicas. Ri sozinha, gargalhei, chorei, espantei-me, encantei-me, espelhei-me… ouvi as sonoras gargalhadas na foto tirada numa roda de amigos. Senti a brisa do mar, escutei o barulho das ondas, senti os meus pés a tocar a areia molhada. Assisti ao nascer do sol. Senti o seu calor antes de se pôr no horizonte da fotografia. Ouvi o estalo do beijo na bochecha, o barulhinho crepitante dos copos na hora do brinde. Os abraços que duraram só alguns segudos, mas que eu ainda posso sentir…

6 comentários:

Maria disse...

É o que faz mudar de casa...
Hehehehehehe
:))

Agora a sério: gostei de te ler. E quero ver as fotos. Para nos rirmos, as duas...

Beijos

zmsantos disse...

É tão bom ter saudades... e matá-las quando podemos!

Muito bem escrito. Fizeste-me, também, viajar no tempo das infâncias vividas...

Beijos ó Lua CheiadeTempo!

MisteriosaLua disse...

Maria, poderás espreitar as fotos logo que venhas experimentar a máquina de café que recebi nos meus anos! ;)

Zm, só é pena não as podermos matar sempre que queremos, ou pelo menos, mais vezes!, verdade?
E quanto ao "cheia de tempo", viste as horas a que escrevi?...

A CONCORRÊNCIA disse...

Devias pensar seriamente em escrever um livro, mas sobre o futuro. O passado traz-nos recordações que gostamos de lembrar, que devemos sempre guardar na memória, mas que nunca mais será possivel vivenciarmos. Portanto segue para o futuro, imagina-o, luta para que seja superior a tudo o que já viveste até agora. Saudosismo Lua ?nem eu que já sou velha tenho idade para isso ...

Pedro Branco disse...

"... do cabelo à tigela...". Essa fotografia é de quando?!!!

Beijo

MisteriosaLua disse...

Pedro, dos meus tempos de jardim de infância!

Gajinha, não se trata de saudosismos... trata-se mesmo de saudades!;)