quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ela chegou sem avisar e apanhou-me desprevenida e desarmada. Há muito que anda a tentar ser notada por mim, e aproveita qualquer espaço, por menor que seja, para se mostrar, porque não suporta mais ser ignorada. Cansou-se de ficar escondida por detrás do meu sorriso amarelo, do meu olhar perdido para o nada, da ausência da minha alegria e do meu entusiasmo de ser e existir. Deixo, então, que a tristeza ocupe o espaço que lhe tem sido negado, e que lhe pertence por direito, e espero que me mostre para que veio.
Acho que quando a dor é aceite, dói pela metade e apressa-se a ir embora, pois uma vez aceite, incomoda cada vez menos, até deixar de existir. Só que enquanto ainda dói, faz-me sentir sono, e o sono vem depois do choro cansado e agudo que ela me provoca, sem se importar com mais nada, pedindo para a minha mente e o meu corpo se desligarem um pouco.
Chorar até me faz bem, alivia as angústias e esvazia-me de mim mesma. Ando cansada de tentar entender-me a mim, aos outros e ao mundo. Cansada de buscar respostas para o que é humanamente incompreensível. Então, deixo! Deixo-me esvaziar do meu próprio cansaço mental e espiritual, permito-me estar do modo que eu preciso estar agora, mesmo sem um motivo palpável.
Não acusem mais a tristeza de ser a má da fita, párem de tentar camuflá-la em falsas alegrias e sorrisos amarelos. Não digo que tenhamos de ser tristes, longe disso. O que quero dizer é que todos nós temos um pouco que seja de tristeza, que quando oprimida, fica cada vez mais incómoda, até ficar profunda e inflamada. Quando ela for inevitável, deixem que entre, tratem-na com cordialidade, é apenas uma visita breve. Ela não vem para ficar, não quer tomar o espaço da alegria, é singela e humilde, e só vem para preparar o ambiente para uma futura alegria, que se antes não fosse uma dor, passaria despercebida.
“A dor é inevitável, o sofrimento é opcional”. Não sei quem foi o sábio que disse estas palavras, mas ela sintetiza tudo o que quero dizer. Sentir dor é diferente de sofrer, o sofrimento fere e deixa marcas profundas, e pode ser uma escolha. A dor é inevitável, mas é sóbria e tem fundamento, chega e vai embora como uma brisa suave, não deixa saudades, mas deixa-nos melhor do que quando nos encontrou.
Estar triste não é ser triste e a minha tristeza está longe de ser sofrida. Finalmente entendi que a dor me ajuda a crescer enquanto gente, e a cada lágrima que ela provoca, purifica e limpa-me os olhos, para que possam ver tudo aquilo que preciso e que me tenho - inconscientemente – recusado a ver.

sábado, 18 de julho de 2009

Aviso à população feminina

Eu sei que este blogue não é do tipo que dá dicas para as moçoilas ficarem mais bonitas e tal, e, pelo menos no sentido estético, a mulher que vos fala, pouco colabora (para não dizer nada) com o universo feminino. Aliás, quando o assunto é vaidade, é mais fácil eu ser ajudada do que ajudar. Mas hoje, especialmente hoje, eu tenho uma dica muito importante para dar:
Cuidado mulheres, muito cuidado com os sabonetes íntimos! Vou explicar o porquê.
Eu tenho notado que a pele do meu rosto anda muito seca… diferente. E não, não é o clima seco, nem o ar poluído da Grande Lisboa. Isso já começou a afectar a minha pele há anos atrás. Ela só começou a ficar assim estranha há alguns dias. Não, também não são os efeitos das queridas hormonas destruidoras, que nós mulheres somos obrigadas a suportar a agir nos nossos corpos e com as quais os homens são obrigados a conviver (pelo menos os que ainda gostam de mulheres). Eu constatei que a causa era mais simples do que eu imaginava, e mais – bem mais - grave também.
Visualisem a cena (não na íntegra, é claro): Uma banhoca espectacular, duche de água quente, a Lua a cantarolar, feliz e contente debaixo do chuveiro, até dar um berro:

“Putaqueopariu, Lua! O sabonete íntimo não é para lavar a cara!”
Pois é, eu descobri que andava a trocar os sabonetes líquidos de lugar e, pelos vistos, já o fazia há alguns dias. Usava o sabonete íntimo um pouco mais acima, e o facial um pouco mais abaixo.
Então, reformulando o meu aviso: “Cuidado mulheres, muito cuidado com os sabonetes íntimos usados em lugares indevidos!”
Aliás, os meus sabonetes são excelentes, não tenho do que reclamar. Pena não poder dizer o mesmo da minha cabeça. Se eu pudesse, já a teria trocado, e sem hesitar. Mas a garantia dessa já expirou há tanto tempo!...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Hoje, acordei sem despertar. Ou despertei sem acordar. Levantei-me, simplesmente. Mas levantar não significa, necessariamente, acordar. E apesar de não ser sonâmbula, agi como tal.
Coisa rara é alguma coisa conseguir tirar-me da cama durante o sono. Normalmente, vou direitinha até ao dia seguinte. Mas senti uma sede tão grande que a minha boca secou.
Fui até à cozinha, abri o frigorífico sem conseguir abrir os olhos como deve de ser, e virei meio litro de água goela abaixo. Depois voltei para a cama com a ajuda de todos os meus outros sentidos, que não a visão.
Quando voltei para debaixo dos lençóis, os meus olhos resolveram abrir-se, e decidiram permanecer assim pelas horas seguintes. Sem que eu percebesse, o meu sono deve ter-se escapado e escondido dentro do frigorífico, enquanto eu bebia a água, distraída.
Recusei-me a ligar a televisão às 3h da manhã. A acender a luz, ou a agarrar no livro que estava na cabeceira e ler até ao sol nascer. Acabei por ver o dia amanhecer, sem a ajuda do livro ou da televisão. Perturbada de sede!
Mas não era sede de água. Não era o meu corpo a pedir líquido. Era sede na alma, mesmo. Percebi que ando a cuidar tão mal do corpo quanto da alma, que está claramente desidratada.
Era tanta sede para ser sentida aquela hora da madrugada. E tudo o que eu queria era um gole de água, enquanto, na realidade, tudo o que eu precisava era de um gole de várias outras coisas… um gole só!
Um gole de força, para hidratar a minha coragem. Um gole de calma, para saciar a minha ansiedade. Um gole de luz, para enxergar na escuridão. Um gole de energia, para motivar o meu corpo. Um gole de paixão, para turbinar a tusa pela vida. Um gole de paciência, para controlar esta ânsia de viver tudo tão intensamente.
Um gole de cada coisa agora, para quando a felicidade chegar, eu me sentir no direito absoluto de beber tudo de uma só vez, sem parar para respirar.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Um superlativo...

Cansadíssima!...