segunda-feira, 26 de maio de 2008

Desfolho memórias presentes no meu atribulado espírito. Há imagens que não quero ver. Esquecimentos que voltam à memória. Há dores que não passam. Navego por entre um labirinto mais ou menos desconexo que se forma dentro de mim. As encruzilhadas sucedem-se, umas atrás das outras. Há mais pontos de interrogação do que reticências, há mais reticências do que pontos finais.
Há tanto que eu te queria ter dito e não disse. Há um sentimento de injustiça, duro, um sentimento mau, feio. "Porque não tinha de ser assim". Sei bem que tinha de ser de alguma maneira, mas isso não me interessa, porque sinto e sei que não tinha de ser assim.
Vai qualquer coisa muito grande cá dentro. Não consigo medi-la, mas também não me atrevo a questioná-la. Talvez seja dor, ou revolta, ou talvez ainda não tenha conseguido acreditar no que aconteceu. Parte de mim ainda não acredita. Sabe, tem a certeza, mas não acredita. Porque ainda espera que seja diferente. É por isso que por vezes acho que vou ficar louca. Porque, sabendo que o que sinto e penso e digo não tem sentido, continuo a senti-lo, a pensá-lo, e até a dizê-lo como se fosse real. Como se fosse possível. Como se fosse verdade.
Sei que foste, e sei que não voltas. Mas não consigo interiorizar, de maneira nenhuma, que nunca mais te verei. (Maldito "nunca mais", que não me sai da cabeça nem por dois minutos.) Não consigo, é só isso. É uma coisa demasiado grande para que eu me consiga capacitar dela. Por isso, vivo, acho eu, na ilusão. Ou melhor: vivo na realidade, mas agarro-me à minha ilusão inconsciente para que o caminho seja mais fácil de percorrer.
É difícil na mesma, mas eu sempre fui teimosa.

4 comentários:

A CONCORRÊNCIA disse...

O sonho faz parte integrante da nossa vida. Umas vezes transformam-se em realidade outras vezes nunca passam de sonhos. Cada um de nós tem por obrigação lutar para transformar os sonhos em vivências, se conseguir será óptimo, se não conseguir poderá sempre lutar por outros que decerto surgirão
Beijos

zmsantos disse...

Cada tiro, cada melro.
Continuas em grande!

Beijinho

Zé dos Anzóis disse...

Quando subires a certos cumes deles não mais descerás. Mas abre as assas e voa mais alem... Muitos outros podem existir!...
Za

MisteriosaLua disse...

Concorrência, miguita, há alturas em que temos mesmo de deixar de lutar, seja porque ao fazê-lo magoamos outros, seja porque nos magoamos a nós mesmos...

zmsantos, acredita, é mesmo cada tiro cada melro!... Começo a deixar de acreditar nos 100%...

Za, a chatice é que depois de alcançar O cume, todos os outros parecem tão baixinhos!...

Resumindo e concluindo...
Carpe Diem, e vivam os amigos!
Tudo o resto não depende de nós, e por isso mesmo, poderá ser apenas efémero...