quinta-feira, 15 de maio de 2008

Tempos houve em que, ao ouvir a música que ouvi há pouco, as coisas se transfiguravam perante mim. Tudo ficava mais claro, mais brilhante, mais belo!
Continua a fazer-me um friozinho no estômago, esta música. Linda demais para que lhe fique indiferente. Ainda que hoje não me apeteça ouvir música, ainda que hoje até o silêncio faça barulho dentro da minha cabeça, ainda que ande tudo num turbilhão dentro de mim.
Sinto-me contraditória, hoje. Porque me apetece chorar. Porque há alegrias, ainda que poucas, mas há-as.
Precisava de falar contigo. Precisava do teu ombro. Encostar a cabeça nele e chorar enquanto conseguisse. Gritar contigo, se preciso fosse, numa tentativa de aliviar todo este peso (e simultaneamente este vazio) que trago no meu peito. O vazio pesa. Pesa demasiado. Parece que tenho um buraco (ou uma pedra) muito grande no centro do peito, que quase me asfixia o corpo e a alma.
Tenho saudades de ser irremediavelmente feliz por mais do que breves instantes, escassos minutos ou poucas horas. Já fui feliz durante vários dias seguidos. Quanto mais o tempo passa, mais distante me sinto dessa felicidade, e mais difícil me parece voltar a alcançá-la. Porque há problemas que não se resolvem de um dia para o outro. Surgem, crescem, maturam-se, e andam ali, às voltas, sobe-e-desce-sobe-e-desce, até chegarem, para o bem ou para o mal, a um ponto final. Porque queiramos ou não, esse ponto final acaba sempre por vir. Sempre. E eis que eu o vejo a aproximar-se e quero mandá-lo embora... Mas ele não me obedece. Aproxima-se, e ao fazê-lo, deita por terra as últimas esperanças que em mim restavam.
Apetece-me chorar. Só isso.

(Grata por terem dado pela minha falta!)

4 comentários:

A CONCORRÊNCIA disse...

Eu sabia Amiga, eu sabia que precisavas de nós, conheço-te! A única coisa que poderia levar-te a não escrever era a tristeza.
Eu sei que é dificil a cambalhota dentro de nós para tornarmos a ver as coisas noutra perspectiva, mas só nós o podemos fazer. Pensa em coisas boas Amiga, no teu lindo Rodrigo, na tua Sol, em todos nós aqui, a querer ver-te com um grande sorriso nos lábios. E juro-te melhores dias virão, palavra de Cadela Amiga.

MisteriosaLua disse...

Também gosto muito de todos vocês!

Anónimo disse...

Sabes que sempre aqui estive, não sabes? mesmo naquelas alturas tulmutuosas em que nos odiávamos com a mesma paixão com que nos amamos... o meu ombro sempre foi teu, e sempre foi no teu que deixei cair os tijolos das minhas muralhas... eu e tu somos uma, não me perguntes porquê, mas porque assim estava escrito, porque me fazes falta como um braço, uma perna, a mão esquerda... porque quando me começa a faltar o chão o teu calor e o teu cheiro são quem primeiro me assalta a memória... por tudo isso e muito mais, sei que precisas de mim e que ás vezes precisas de mim sem ser ao teu lado... estou aqui!

zmsantos disse...

Letra | Musica:
Luis Pastor / Rogério Charraz

Por los pasos de mis días
Hay un rastro de memoria
Muchos rostros de caricias
Y algún resto de maldad

Por los besos de mis ojos
Hay un rastro de ternura,
Muchos párpados de cielo
y algún Iris de cristal

Por los pasos de mis horas
Hay un rastro de tu nombre
El amor hecho suspiro
Virgencita de mi altar

Por el cielo de mis ojos
Hay un rastro de otros ojos
Muchos soles en su puesta
Y una luna por pintar

Por los besos de mi cara
Hay un rastro de otros besos
Un paisaje de sonrisas
Y un guiño de soledad

Por la frente de mi vida
Hay tres surcos de tristeza
Un reguero de dulzura
Y besos de un manantial