quinta-feira, 15 de maio de 2008

É tarde. Não tenho sono, mas sinto-me mais do que cansada. Uma força terrível sugere-me que me embrulhe nos lençóis, ou que, pelo menos, me deite sobre eles, e que me deixe ficar, ali, sem dormir, sem pensar, sem sentir. Ficar por ali, simplesmente, à espera de algo que nem eu sei bem o que é.
A rotina repete-se: tenho o meu momento só comigo, depois desligo as luzes e abro a porta da varanda, com a persiana corrida "com os buraquinhos abertos". E é aí que tudo acontece.
Ao aproximar-me da persiana, o ar fresco da noite envolve-me. Penso em ti, sinto-te nele. Penso em ti com toda a minha concentração, com toda a minha alma, com todo o meu espírito. Naquele momento, nada mais existe em mim a não ser a tua imagem, o teu sorriso, a tua voz, as tuas palavras. Ao toque de uma brisa mais forte, o meu corpo estremece num arrepio. Por breves momentos, chego mesmo a acreditar que chegaste, estás ali, bem perto de mim. Povoas-me, povoas tudo o que existe em mim, tudo o que é meu.
Depois, a brisa pára de soprar. Já quase nem sinto o ar de lá de fora. Respiro fundo. Estiveste ali, sei que sim. Podes não saber que me visitaste, mas eu sei-o. Sei-o, porque te senti perto, muito perto de mim. Senti todo o meu amor por ti a mexer dentro do meu peito, quase a sufocar-me, tal como aconteceu da última vez em que te vi.

2 comentários:

Anónimo disse...

Lindo Patricia!
Um beijinho grande para ti
Mukanda

MisteriosaLua disse...

Não podia deixar de te dar as boas vindas, amiguita! ;)
As portas estão sempre abertas, volta quando quiseres!