Ontem foi o dia em que tudo me pareceu negro. Em que me senti pequena. Assustada. Envergonhada. Culpada. Desiludida.
Hoje é o dia em que ponho o de ontem na caixinha de recordações que magoam.
Porque não tenho que me sentir como querem que me sinta.
Porque não fiz nada que justifique sentir-me assim.
Se eu pudesse fazer o tempo recuar dois anos e influenciar o rumo dos acontecimentos, claro que o faria. Mas não posso.
Se eu pudesse fazer o tempo recuar oito meses e influenciar o rumo dos acontecimentos, não o faria.
Abandonei um casamento por não ser plenamente feliz e achar que o merecia ser. Encontrei uma pessoa que me fez ver que estava certa. Devo-lhe essa validação e a descoberta do muito de que sou capaz se a isso me propuser.
Acreditamos ambos ser possível sermos felizes juntos. Não foi.
Custou muito a aceitar, mas aceitei. Custou muito a passar por cima, mas passei.
Com ele, fui participando, sem participar, neste grupo de amigos. Com ele, vieram mais pessoas, com quem, com o passar do tempo, fui amizando.
Quando ele me fechou a porta, se calhar, eu deveria tê-la fechado também. Não fui capaz. Vocês já estavam deste lado.
Devia ter-vos contado isto?
Não. Posso contar-vos tudo, menos a vida privada do vosso amigo.
Menti-vos?
Menti. Menti acerca da forma como apareci. Para não expor ninguém. Apenas e só.
Usei-vos?
Nunca. Por razão alguma.
Tentei aproximar-me dele por estarmos rodeados pelas mesmas pessoas?
Nunca. Muito pelo contrário.
Foi pêra-doce?
Não. Ver a pessoa que desejamos e não lhe podermos tocar, não é pêra-doce. Ter de ter cuidado com o que digo, para não revelar mais do que seria normal eu saber, não é pêra-doce. Ouvir aquela música, não é pêra-doce.
Tive consciência de estar a magoar alguém?
Tive. Por isso desisti de lutar por um futuro a quatro. Depois disso, foi-me dito que não. Que após termos terminado, deixou de haver razões para magoar alguém. Ainda há cerca de quinze dias me disseram que estava tudo bem. E eu acreditei. O futuro a mais de quatro estava assegurado.
Se eu pudesse fazer o tempo recuar uma semana e influenciar o rumo dos acontecimentos, não o faria.
Porque, como vocês, também acredito que nenhum mentiroso tem uma memória suficientemente boa para ser um mentiroso de êxito, e fico contente por não ter de voltar a ter cuidado com o que digo.
E porque eu continuo a acreditar na genuidade e na frontalidade, aqui vai:
Isabel, ainda bem que és o poço de emotividade que és! Se não fosses assim, possivelmente hoje ainda andaria a fazer figura de parva... Obrigado, amiga.
João, adorei ouvir-te dizer que "ontem chamei-te uma série de nomes feios, mas hoje já não." Obrigado, amigo.
Zé Manel, eu não deveria ter questionado o teu modo de ser ou de estar na vida. És o que mostras ser. Obrigado, amigo.
Equacionei não permitir os comentários a este post, mas depois lembrei-me do erro que cometi ao assumir determinadas coisas.
Deixo-os abertos.
4 comentários:
Caríssima Patricia,
Honestamente não me apetece alimentar muito mais este assunto, que me parece ter sido demasiado exacerbado, no que a mim me diz respeito.
Permite-me só questionar o argumento de "teres andado a fazer figura de parva", já que me parece muito injusto que sejas tu a utilizá-lo. Eu nunca me senti usado por ninguém, e muito menos acho que fiz figura de parvo, muito embora não tivesse gostado que me tivessem sido ocultados alguns factos (pelas duas partes) de uma história em que acabei de participar indirectamente. Não me foi dada a oportunidade de dizer sim ou não a algo que eu conhecia detalhadamente. Deves compreender que ninguém gosta de participar num jogo em que as regras não são todas explicadas à partida. Mas tenho a convicão que não fiz ninguém passar por parvo e muito menos usei quem quer que seja para chegar a determinado fim.
Eu não sou por natureza uma pessoa frontal e directa, já que evito até onde posso e acho razoável o conflito e a confrontação. É a minha maneira de ser, goste-se ou não dela. Mas a vida tem-me ensinado que quanto mais próxima se torna uma relação, menos segredos comprometedores deve haver. O prolongamento deste "tabu", ao mesmo tempo que se foi desenvolvendo uma relação colectiva de amizade foi um erro crasso de todas as partes, que gerou mal entendidos, desconfianças e incompreensão a quem esteve tempo demasiado a leste de determinados pormenores. Já o disse pessoal e frontalmente a quem tem comigo uma relação de amizade que vai muito para além do convívio ocasional.
Não condeno ninguém, não encontro nesta história culpados nem vítimas, não estou a favor, nem contra ninguém. Limito-me a lidar com cada uma das pessoas na exacta medida da relação que mantenho com cada uma delas, na exacta proporção dos laços que me unem a cada uma das partes.
Não tenho nada contra ti, da minha parte a nossa relação manter-se-á o que sempre foi e se algum dia precisares de falar comigo sobre este ou qualquer outro assunto, conheces os meus contactos, tens vários à tua disposição para utilizar.
Um beijo,
Rogério Charraz
Como dizes no texto que não usaste ninguem, tenho a certeza que falas verade, afinal eu sou NINGUEM e a mim tu usaste-me.
Patricia
Bom dia Patricia,
Ontem,quando li o teu post
pensei em responder-te pessoalmente, ligando-te ou enviando-te um mail pessoal.
Depois achei que não!
Não iria alimentar
mais esta conversa, muito menos por posts, mails e afins...
Tenho pena que o Charraz o tenha feito.
Não por ti, mas por ele!
Não o querendo defender, pois ele não precisa de quem o defenda, é triste que digas que o Charraz te usou.
Vê se bem que não o conheces minimamente.
Não alimentarei esta conversa,acho
demasiadamente triste, que esta seja alimentada num blog.
Eu estou fora.
Frontalidade?!
Dir-te-ei o que é frontalidade um dia,quando estivermos na presença uma da outra.
Não te exponhas mais.
Ninguém passa de bestial a besta da noite para o dia.
Nem de besta a bestial.
Ninguém é perfeito, todos cometemos erros.
Cada um, já é crescido o suficiente para assumir, as suas qualidades e os seus defeitos.
Todos nós gostamos de ser o
CALIMERO por um dia, por dois...
Faz parte,é Humano.
Mas depois, embora cair na real?!
Certo?!
Ninguém julgou ninguém.
Conheço a história.
Falo por mim.
Fiquei triste, apenas e só por uma coisa...
Lida com os adultos de forma adulta.
Lida com as crianças de forma criança.
Os adultos defendem-se.
As crianças não.
Tens um filho.
Sabes a que me refiro.
Acho muito triste, continuares a alimentar isto,
Principalmente num Blog.
Mas tu saberás.
Eu estou fora.
Andreia Flórido
Patrícia, és uma menina cheia de força, cheia de garra, inteligente e linda.
Nunca te usei. Apenas quis que nos conhecessemos, nada mais.
O que mais quero, acredites ou não, é que consigas ser feliz!
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