domingo, 1 de junho de 2008

Este é o meu Adeus, Paixão. O meu adeus oficial, pensado e re-pensado, e por isso mesmo espero que definitivo. Adeus às lágrimas, adeus ao amor não correspondido. Adeus à esperança vã, adeus à perda de tempo e de energia. Adeus à angústia. Adeus também à alegria única, adeus ao sonho, adeus ao entusiasmo. Adeus ao nervoso miudinho, adeus ao aperto no estômago e àquela deliciosa falta de apetite. Adeus aos suspiros, adeus ao desejo.
Adeus a ti, Paixão. Obrigada por tudo. Agradeço-te a tua presença nos meus sonhos, e agradeço mais ainda o quanto me aqueceste o coração ao longo de algum tempo. Foste tu quem me ensinou, ainda que de forma totalmente involuntária, o que significava amar, o que era o amor em toda a plenitude que lhe é consentida. Embalaste-me o sonho, acalentaste-me a esperança. Ajudaste-me sempre, em todos os sentidos. E na maioria das vezes nem foi preciso pedir-te nada, porque, também na maioria das vezes, nem deste conta de que o fazias.
Ainda assim, apesar de tudo, não posso continuar a viver na ilusão de algo que sei que nunca será possível. Não posso, como me costumam dizer, "desperdiçar a minha vida" dedicando-me de corpo e alma a algo que não terei -- tu. Tenho uma vida pela frente, e sei que não serás tu a acompanhar-me enquanto a vivo. Vais estar lá enquanto amigo, disso tenho a certeza; mas há dias na nossa vida nos quais precisamos de algo mais para além de um amigo...
Serás sempre a mais doce recordação da minha vida. A mais bela de todas. Por tudo, és e serás inesquecível. De mim terás sempre um carinho especial, por tudo aquilo que foste, e por tudo aquilo que um dia sonhei que poderias ter sido. Conta comigo para tudo; nunca na vida deixei um amigo sozinho, e a ti, por todas as razões, também não deixarei. Foste o melhor 'pedaço' da minha vida; há qualquer coisa tua que vai para sempre ficar em mim, dentro de mim, como se eu e aquilo que tu és para mim fôssemos um só.
Adeus, Paixão. Sê feliz. Não saberei ser feliz se tu não o fores. E mantém a nossa amizade de pé, porque eu farei o mesmo. Esquecer-te? Nunca! Simplesmente guardar de vez no baú aquilo que já lá deveria estar há muito tempo. Amigos, sempre. Mais do que isso... Já não o espero, já não o sonho;se tiver de acontecer, acontecerá, e estarei de braços abertos para te receber. Mas por agora vou dar tempo ao tempo. Vou viver, Paixão. Viver, e, possivelmente, amar. Amar quem me ame; apenas isso.

3 comentários:

A CONCORRÊNCIA disse...

Florbela Espanca

A vida

É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...

Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!

Beijos
P.S. A vida é feita de escolhas, certas ou erradas, faceis ou dificeis, depois, tudo fica mais leve e mais claro dentro de nós.

zmsantos disse...

A quilha foi desenhada para sulcar as ondas. A vela anseia pelo sopro do vento. E até as mais grossas amarras se desfazem quando chega a vontade de levantar a âncora.
Longa, longa pode ser a viagem, mas haverá sempre um porto firme no teu destino.
Que os ventos te sejam favoráveis, amiga.

Beijos.

MisteriosaLua disse...

Miga, foi dificilmente fácil aceitar esta decisão erradamente certa...
Espero que as coisas se tornem realmente mais leves e claras.

O meu destino será traçado ao longo do caminho, por enquanto desconheço o que seja!
Quanto aos ventos e portos de abrigo que vou encontrando pelo caminho, não poderia pedir melhor!
Entre as metades que já me compunham e as metades que descobri recentemente, não me consigo sentir sozinha... São todos vocês que sopram este barco e ao mesmo tempo o abrigam!
Besitos