terça-feira, 27 de maio de 2008

Desde o dia em que partiste, estas duas palavras martelam na minha cabeça sem cessar, qual nave atracada que não é capaz de partir. Nunca Mais. Nunca mais tudo, afinal de contas. Nem a tua voz, nem o teu feitio terrível, nem os teus conselhos, nem as tuas 'palestras', nem as nossas conversas.

A nossa relação não foi fácil. Foi boa, sim, mas tivemos momentos bem complicados, e tu, culto e inteligente como sempre foste, sabe-lo muito bem. O teu feitio era bastante complicado, por todas as razões e mais uma. Houve momentos em que me enervaste muito, em que me magoaste muito, mas nem aí deixei de te adorar, de te dedicar todo o meu amor de filha. Mesmo quando as lágrimas teimavam em correr, o carinho continuava a existir. E, nos bons momentos, que foram muitos, gostei de estar a teu lado, de te ver, de te abraçar. Tantos abraços que eu te dava... lembras-te? E chamava-te Fernandinho, na brincadeira. E, não te tendo contado tudo, contei-te muitas coisas. Hoje penso: quem me dera ter contado mais. Mas há coisas, tantas coisas, que só soube depois de partires... Se as tivesse sabido antes, terias talvez conhecido uma faceta da tua filha que nunca chegaste a desvendar. Mas é claro que agora, onde quer que estejas, podes ver essa faceta e todas as outras, enquanto me ouves e olhas por mim!
Tenho saudades tuas. Queria ver-te, ouvir-te, só mais uma vez. Queria pedir-te desculpa por alguma coisa de que te pudesses queixar. Por todas as coisas que eu possa ter feito e que te tenham magoado. Não sei se houve alguma; só quando nos voltarmos a encontrar me vais poder esclarecer...
Nunca mais, neste vida, te vou ver. Nem ouvir-te. Nem aprender contigo. Nem pedir-te conselhos. Nem sequer zangar-me contigo. Mas acredito e sei que estás por aí, algures, a olhar pela tua filha, de quem sempre disseste ter muito orgulho.
Deixo-te aqui um grande beijinho. Sei que lês isto à medida que escrevo cada palavra... E que olhas por mim, nesse sítio onde estás, e que lutas para que a minha vida seja tão boa quanto um pai deseja a uma filha.
Adeus, Pai. Um beijo do tamanho do Mundo. E sê feliz nesse teu novo mundo...

PS1: Por vezes falávamos de como seria 'o outro lado'. Agora, tu já sabes como é...
PS2: Foi bom ter sonhado contigo!...

3 comentários:

A CONCORRÊNCIA disse...

Quando perdemos alguém que amamos, ficamos sempre com aquele sentimento a que chamamos saudade, no entanto eu também, tal como tu, teimo em acreditar que esse alguém está algures do outro lado a olhar por nós, a proteger-nos, a ajudar-nos, com aquele carinho a que sempre nos habituou.
Beijo

MisteriosaLua disse...

Já que temos de acreditar em qualquer coisa, que seja numa bonita!...

Carol disse...

Patricia,

Felizmente o meu continua a fazer-me companhia todos os dias. Desde sempre temos uma relaçao especial, cumplice, próxima, daquelas onde existem muitos momentos onde as palavras sao meros acessórios desnecessários.

Por ser a mais nova, por ser menina, por ser a sua Quicas e por uma série de outros motivos, a sua asa protectora faz-se sempre sentir ... nos pequenos e grandes detalhes e tenho plena certeza que se manterá assim sempre.

Diariamente faço para que esta nossa relaçao mantenha a mesma magia, cumplicidade .... para que contemos sempre um com o outro.

Tudo porque ... sabe mesmo bem !!

Beijos