O meu coração respira saudade por todos os meus poros. Saudade dos risos fáceis nos bancos da nossa praça, saudade das conversas no teu quarto, por horas esquecidas, sobre tudo o que nós verdadeiramente somos, saudades de olhar nos teus olhos e ver o outro lado de ti, saudades de tudo o que somos e sempre seremos.
Recebi esta mensagem no meu telemóvel. Veio do melhor dos só amigos. Referia-se à nossa adolescência, saudável, alegre e despreocupada, como deveriam ser todas.
A família, não a escolhi. No entanto, se me dessem para as mãos um pedaço de barro e a liberdade de poder moldar os pais e avós perfeitos, a única coisa que acrescentaria aos meus seria a eternidade. As saudades que a falta dessa qualidade provoca!...
Já os amigos, tive a sorte de os poder escolher, um a um, do lote enorme de conhecidos que entram e saiem das nossas vidas.
O autor desta mensagem baralha-me, na medida em que, após tantos minutos, horas, semanas, meses, anos, já não distingo muito bem em qual dos grupos se insere.
Lembro-me dele desde que me lembro de mim como sou hoje. Ajudamo-nos a crescer. Amparamo-nos e celebramos juntos (pequenas grandes vitórias!). Choramos e gargalhamos (adoro as suas gargalhadas!). Organizamos idéias e ideais (e viagens de finalistas!). Descobrimo-nos. Apadrinhamo-nos (se bem que a colher ainda não esteja decorada, os ensaios para a valsa do baile de gala, coordenados pelo senhor meu pai nunca serão esquecidos!). Adoptamo-nos. Zangamo-nos e fizemos as pazes (os abraços, apertadinhos!...). Sabemos do outro tanto ou mais que de nós próprios (mesmo aquelas coisas feias de que nos vimos a arrepender...).
Tinhamos tempo para conversar, para estar, simplesmente (os nossos silêncios nunca foram incómodos...), para olhar nos olhos e ver o outro lado de nós, como ele tão bem disse.
Ainda bem que nos conhecemos nessa altura. Hoje poderíamos não ter esse tempo. Nem esta amizade, esta extensão de nós! E não seríamos quem somos...
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