O turno desta noite foi muito curto, gostaria de o ter podido prolongar um pouco mais, até segunda-feira, non-stop. Não me sentiria tão sozinha. Teria a petite lune deitada na nuvem, sempre debaixo do meu luar.
O pequeno satélite foi passar uns dias com a avó e o avô Marte (como se encaixa tão bem este nome, Marte, nas pessoas dos meus sogros! E ainda a Margarida diz que não há coincidências!...). E eu passei de minguante, a quase vazia. É esta a sexta fase da Lua.
Vazia, do mau feitio ao acordar, reclamando a plenos pulmões o seu leite quentinho, acompanhado de estrelitas acabadas de apanhar.
Vazia, da guerra diária do trocar das fraldas, do lavar dos dentes, do vestir do manto, aquele que tem os bonecos que dão no canal da Ursa Maior (julgo que equivalerá ao vosso Panda...).
Vazia, da chantagem emocional para conseguir ficar no andar de baixo, comigo, em lugar de se juntar aos outros pequenos satélites da sua idade, que ocupam o andar de cima.
Vazia, das birras que teima em fazer ao sair da escolinha, porque quer a casinha, o jardim, o parque, os amigos, a loja, os baloiços, mas nunca, nunca ir para casa!
Vazia, de ter de drenar e reconstituir aquilo que era uma casa de banho antes da sua banhoca, ao final do dia.
Vazia, do cansaço e da luta para conseguir, por fim, que se deite na sua nuvem fofinha, após me ter passado um atestado de ignorância, no que ao Noddy diz respeito.
Pensando bem, não deveria eu estar contente, e aproveitar a folga que os avós Marte me concederam? Deveria, pois! Vou aproveitar ao máximo estes dias para recuperar forças, arejar a cabeça, esticar pernas, conviver!... Mas farei tudo isto vazia!...
Vazia, do sorriso lindo com que me brinda quando termina o leite e salta para a minha cama, para os momentos de brincadeira matinal, recheados de cócegas e gargalhadas!
Vazia, da companhia que tenho quando bebo o meu primeiro café do dia e das conversas que vamos tendo a caminho da escolinha!
Vazia, dos beijos que recebo sempre que nos cruzamos durante o dia, e dos "É a minha mãe!", sempre que acarinho outro pequeno astro!
Vazia, de descobrir, já a caminho de casa, que em lugar de "muitas bolas", passou a dizer "imensas bolas", que já conta até quatro, e que a bola do Benfica é "lhelha"!
Vazia, daqueles momentos só nossos, depois da banhoca, em que o beijo e ele se anticipa e me diz "humm, xeia bem!"!
Vazia, de o olhar enquanto dorme...
Caramba, que vazia é esta fase!...
2 comentários:
Sabes tão bem como eu que a partir do momento em que somos mães, a solidão e o vazio deixam de existir nas nossas vidas, e nela maravilhosamente existirão as lembranças e o carinho incondicional dos nossos rebentos. Por isso Amiga o que tu sentes são saudades, sentimento que te acompanhará sempre que te afastares da tua Luinha. Prepara-te porque um dia virá (ainda falta muito tempo, está descansada)em que o afastamento físico será bem maior, e nessa altura terás como tens agora a tua filhota sempre presente dentro de ti.
Grandes Lambidelas amigas
Miguita, soube-me bem ler o teu comentário... Obrigada por ele.
Besitos
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