quarta-feira, 30 de abril de 2008

...Naquela noite, ele saiu do trabalho sem se despedir de ninguém. Caminhou até à paragem onde durante anos esperara pacientemente pelo autocarro. Mas não parou, e duas horas mais tarde passou em frente à porta de casa. Mas não parou, continuou a caminhar, sem olhar para os lados e ultrapassou, na manhã seguinte, o limite da cidade. E assim prosseguiu, impassível e obstinado até que, repentinamente, deu conta de que, por mais que andasse, jamais deixaria a massa continental que pisava e um dia eventualmente estaria de volta. E, mais do que isso. Deu conta de que, ainda que apanhasse um barco ou um avião para deixar o continente, o mundo era esférico... Resignado, fez uma curva e começou a percorrer o caminho de volta. Uma lágrima escorria por sua face...

Um beijo, para ele.

4 comentários:

zmsantos disse...

Há grilhetas que nos prendem para lá do espaço e do tempo...

MisteriosaLua disse...

São piores que correntes do mais forte aço...

A CONCORRÊNCIA disse...

Espero que a pessoa em causa estivesse bem calçado para semelhante caminhada. Embora as dores na alma sejam bem mais dificeis de suportar que as dores físicas e o remédio diferente para umas e outras. Para as da alma há sempre solução, pode demorar mais ou menos tempo a encontrá-la.

MisteriosaLua disse...

Nem sempre há solução... o que pode haver muitas vezes é a resignação...